👋 Boas-vindas Ă s novas 148 pessoas que se inscreveram no the jobs na Ășltima semana, a newsletter para os profissionais mais preparados (e disputados) dessa geração. Agora, somos 115.612 leitores criando a maior comunidade de carreira do Brasil.

OS PRINCIPAIS PONTOS SOBRE O QUE VAMOS CONVERSAR HOJE:
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👉 4 armadilhas do mundo corporativo que atĂ© os profissionais mais experientes caem;

👉 Como “evitar conflito pra manter a paz” pode ser um tiro no pĂ©;

👉 O cuidado que vocĂȘ precisa tomar com a ideia de “precisar ser transparente”;

👉 A verdade sobre por que resultados não falam por si só;

👉 E por que o networking informal Ă© tĂŁo relevante.

👋 Fala, Jobs!

Eu jĂĄ comentei hĂĄ algum tempo por aqui, mas eu liderei por alguns anos equipes de vendas em algumas multinacionais — isso fez parte da minha carreira e aprendi demais com essas experiĂȘncias.

E, nessa Ășltima semana, eu conversei bastante sobre “o jogo corporativo” (tem que saber jogar) com uma amiga que Ă© Gerente SĂȘnior de Marketing em uma das maiores empresas de bens de consumo do Brasil


Compartilhando nossas experiĂȘncias, nĂłs chegamos em um questionamento, uma pergunta em comum:

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VocĂȘ jĂĄ reparou que alguns dos piores erros (independente do cargo de liderança) nĂŁo parecem erros quando vocĂȘ os comete?

Pois Ă©. É uma baita surpresa...

É muito doido, porque esses erros chegam disfarçados de virtude, de bom senso, de "a coisa certa a fazer".

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VocĂȘ trata todo mundo igual porque aprendeu que isso Ă© justo
 VocĂȘ evita conflito, porque quer ser o adulto na sala
 VocĂȘ compartilha tudo porque transparĂȘncia Ă© sagrada


E enquanto vocĂȘ age com as melhores intençÔes, sua credibilidade racha devagar, quase imperceptĂ­vel, atĂ© o dia em que vocĂȘ percebe que perdeu a confiança de quem importa.

A liderança não recompensa intenção.

Essa foi uma das principais conclusÔes da nossa conversa.

(E eu tambĂ©m jĂĄ falei muito sobre isso aqui, mas nĂŁo estamos falando sobre liderança como cargo e, sim, liderança como virtude — aplicĂĄvel a todo mundo, independente da hierarquia.)

A liderança responde à leitura fina do contexto, que é a capacidade de perceber quando uma virtude deixa de ser virtude e vira ponto cego.

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Aprendizado clĂĄssico que vocĂȘ vai ouvir falar de qualquer um dos lĂ­deres mais respeitados que vocĂȘ encontrar: os erros mais perigosos nĂŁo nascem do que vocĂȘ nĂŁo sabe, mas do que vocĂȘ tem certeza que estĂĄ fazendo certo.

Se vocĂȘ Ă© um novo lĂ­der ou estĂĄ prestes a se tornar um, nossa promessa Ă© de que esse texto pode te poupar alguns anos de aprendizado doloroso, porque nĂłs trouxemos 4 armadilhas nĂŁo tĂŁo Ăłbvias que atĂ© os profissionais mais experientes caem.

Vamos mergulhar na edição de hoje. O papo vai ser bom demais!

Mas antes, um recado rĂĄpido dos nossos parceiros da Adyen sobre uma vaga aberta no processo seletivo deles:

APRESENTADO POR ADYEN

VocĂȘ usa isso todo dia e talvez nunca tenha ouvido o nome da profissĂŁo por trĂĄs.

A gente vive cercado de carreiras que nĂŁo aparecem no seu LinkedIn. Uma delas Ă© a de quem faz seus pagamentos funcionarem.

Quando vocĂȘ aproxima o cartĂŁo, paga o delivery ou faz um checkout em um site gringo, existe um time inteiro, que vocĂȘ nĂŁo vĂȘ, garantindo que tudo seja rĂĄpido, seguro e aprovado.

Essas pessoas trabalham em adquirentes: empresas que conectam lojistas, bancos, bandeiras e mĂ©todos de pagamento. É como se fosse o “backstage” da economia digital.

E Ă© aqui que entra a Adyen, parceira do the jobs. Uma adquirente global, presente em mais de 25 paĂ­ses, que decidiu reinventar essa infraestrutura, com uma Ășnica plataforma, tecnologia prĂłpria, diversidade como pilar e uma cultura que valoriza gente que resolve problemas sem complicar.

Se vocĂȘ tem curiosidade por negĂłcios, produto, risco, vendas, engenharia ou compliance, esse backstage pode muito bem ser o seu palco. 👉 Veja todas as vagas abertas na Adyen.

4 armadilhas do “jogo corporativo” que atĂ© profissionais mais experientes caem.

1⃣ Evitar conflito pra "manter a paz".

VocĂȘ Ă© aquela pessoa pacificadora, equilibrada, que nĂŁo alimenta drama... AĂ­, quando duas outras pessoas do time (sejam da sua equipe ou sejam seus pares) começam a trocar farpas, vocĂȘ respira fundo e pensa:

💭 "Na moral? Vou deixar isso esfriar. Não vou entrar nessa. O tempo vai resolver."

Duas ou trĂȘs semanas depois, eles pararam de se falar e aĂ­ vocĂȘ jĂĄ sabe o que vai rolar: um tĂĄ quase que sabotando o trabalho do outro, de forma sutil.

Um profissional, que antes se destacava e sempre foi muito ativo, fica visivelmente desengajado e, se vocĂȘ for o lĂ­der, todo mundo fica se perguntando por que vocĂȘ nĂŁo fez nada (ou, pelo menos, o que vocĂȘ poderia ter feito).

PS: se vocĂȘ nĂŁo for o lĂ­der, a verdade Ă© que ninguĂ©m vai pensar isso de vocĂȘ — mas vocĂȘ tambĂ©m poderia ter contribuĂ­do pra resolução do problema em vez de simplesmente ficar quieto.

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A armadilha aqui é que evitar conflito compra harmonia de curto prazo, mas semeia uma certa disfunção de longo prazo.

O conflito nĂŁo desaparece quando vocĂȘ o ignora, ele sĂł muda de endereço. O conflito sai da superfĂ­cie e se instala nos bastidores: nos olhares desviados, nas pequenas vinganças, nas desistĂȘncias silenciosas de quem jĂĄ parou de acreditar que vale a pena falar.

O time dificilmente vai interpretar a omissão do líder como serenidade
 Vai ser mais fácil interpretar como abandono.

O que fazer aqui, entĂŁo? Enfrentar cedo e diretamente o problema.

Eu sempre me lembro de uma conversa que tive com o CEO do Rock in Rio, Luis Justo, quando ele me falou: “toda conversa difĂ­cil tem dois fatores em comum: o primeiro Ă© que toda conversa difĂ­cil Ă© necessĂĄria; e o segundo Ă© que vocĂȘ sempre termina uma conversa difĂ­cil em um cenĂĄrio melhor do que o cenĂĄrio onde ela nĂŁo tivesse acontecido”.

Vale citar aqui tambĂ©m o framework de “Radical Candor” (Sinceridade Radical), da Kim Scott, pra separar fatos de suposiçÔes e manter o tom respeitoso. JĂĄ escrevemos uma edição do the jobs sobre isso, Ă© sĂł clicar no botĂŁo abaixo.

Em resumo: o modelo tem dois eixos: cuidado pessoal (vocĂȘ se importa genuinamente com a pessoa) e desafio direto (vocĂȘ estĂĄ disposto a dizer a verdade desconfortĂĄvel).

Quando vocĂȘ combina os dois, consegue ter conversas difĂ­ceis sem destruir relacionamentos. A fĂłrmula Ă©: "Eu me importo com vocĂȘ mais preciso te dizer algo que vocĂȘ nĂŁo vai gostar de ouvir".

Quer outro framework? Complemente com o modelo SBI pra feedbacks concretos: Situação ("na reuniĂŁo de ontem") + Comportamento ("vocĂȘ interrompeu a Maria trĂȘs vezes") Impacto ("e isso fez com que ela parasse de contribuir").

A paz que vocĂȘ quer construir vem da confiança, nĂŁo do silĂȘncio
 E a confiança sĂł se estabelece quando vocĂȘ estĂĄ disposto a nomear o desconforto antes que ele apodreça.

Conflito nĂŁo precisa ser destrutivo
 (!!!) O profissional que posterga o confronto descobre tarde demais que a verdadeira coragem nĂŁo estĂĄ em evitar conversas difĂ­ceis, mas em tĂȘ-las antes que se tornem irreparĂĄveis.

2⃣ Ser transparente demais com as pessoas erradas.

TransparĂȘncia virou palavra sagrada
 SĂł que, quando mal entendida, vira uma armadilha das brabas.

Pensa assim: vocĂȘ tĂĄ numa reuniĂŁo de liderança, pensando que Ă© um espaço seguro. Compartilha suas dĂșvidas sobre uma decisĂŁo estratĂ©gica ainda em formação e menciona uma frustração com outro departamento


SĂł que uma semana depois, sua equipe ouve uma versĂŁo distorcida do que vocĂȘ disse. Fora de contexto, amplificada — e agora vocĂȘ precisa fazer controle de danos.

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A armadilha aqui Ă© achar que transparĂȘncia sem discernimento vira vulnerabilidade.

O que vocĂȘ acha que Ă© abertura pode ser usado como munição em ambientes politicamente carregados. Infelizmente, o mundo corporativo tem seus “urubus”


Existe uma diferença enorme entre ser claro com seu time e abrir cada pensamento cru para qualquer pessoa que esteja por perto


O que fazer, entĂŁo? Praticar a transparĂȘncia estratĂ©gica.

Tenho um grande amigo que estĂĄ hoje nos seus 75 anos de idade e que me deu um baita conselho sobre transparĂȘncia: “vocĂȘ pode ser um livro aberto, sĂł nĂŁo precisa sair lendo as pĂĄginas pra todo mundo”. No mundo corporativo, isso vale por um MBA.

Antes de compartilhar algo, pergunte: essa Ă© a audiĂȘncia certa? Essa pessoa precisa dessa informação? Timing certo? Esse Ă© o momento adequado? Contexto completo? A informação estĂĄ acompanhada do contexto necessĂĄrio? Risco de distorção? Se isso vazar ou for mal interpretado, quais sĂŁo as consequĂȘncias?

Tem um framework chamado Johari Window bem legal pra entender o que compartilhar:

  • Arena (o que todo mundo sabe e pode saber);

  • Fachada (o que vocĂȘ sabe, mas ainda nĂŁo deve compartilhar);

  • Ponto Cego (o que outros veem, mas vocĂȘ nĂŁo);

  • Desconhecido (o que ninguĂ©m sabe ainda).

Combine isso com cĂ­rculos de confiança: informaçÔes que podem ser pĂșblicas, informaçÔes para stakeholders diretos, informaçÔes apenas para conselheiros de confiança.

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TransparĂȘncia madura leva em conta momento, pĂșblico, contexto e consequĂȘncia.

Ela nĂŁo joga tudo na mesa sĂł porque soa mais honesto. Ser transparente nĂŁo Ă© abrir todas as portas, mas sim saber qual porta abrir, para quem, e quando.

O líder imaturo confunde vulnerabilidade com exposição. O maduro entende que proteger informação sensível não é mentir, é liderar com responsabilidade.

3⃣ Acreditar que resultados falam por si.

Esse Ă© um tema recorrente no the jobs: vocĂȘ entregou. O projeto foi lançado no prazo, os nĂșmeros estĂŁo verdes, o cliente tĂĄ feliz. VocĂȘ assume que seu trabalho fala por si.

TrĂȘs meses depois, alguĂ©m com entregas menos expressivas, mas muito mais visĂ­veis, Ă© promovido ou escolhido para liderar o prĂłximo projeto estratĂ©gico
 E aĂ­ vocĂȘ fica chocado, naturalmente.

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A armadilha aqui Ă© pensar que performance se autoexplica.

Na realidade, percepção molda oportunidade mais do que performance isolada. As pessoas não acompanham seu trabalho de perto. Elas acompanham, no máximo, o que percebem do seu trabalho


E percepção é construída, não encontrada.

O que fazer, entĂŁo? VocĂȘ nĂŁo precisa se autopromover de forma descarada. Sabe aquela pegada de usar um megafone e ficar falando de vocĂȘ? Definitivamente nĂŁo Ă© isso.

Mas vocĂȘ precisa assumir a narrativa. Fato.

Um framework comum e que funciona muito bem pra comunicar resultados Ă© o STAR (que vocĂȘ pode usar em reuniĂ”es pontuais ou 1:1s estratĂ©gicos com seu lĂ­der):

  • Situação (qual era o contexto ou desafio?);

  • Tarefa (qual era seu papel?);

  • Ação (o que vocĂȘ fez especificamente?);

  • Resultado (qual foi o impacto mensurĂĄvel?).

"Show your work" vira uma regra: compartilhe progresso em canais visĂ­veis (Slack, email de updates, demos), dĂȘ crĂ©dito ao time publicamente (isso aumenta sua credibilidade) e documente decisĂ”es importantes e liçÔes aprendidas. Isso aqui jĂĄ vale por mais de 80% de “vender a si mesmo”.

Pra ir ainda alĂ©m, vale usar um conceito chamado stakeholder mapping: identifique quem precisa saber do seu trabalho, crie cadĂȘncia de comunicação apropriada para cada stakeholder, adapte a mensagem para o que cada um valoriza.

E lembre-se sempre, principalmente quando parecer desconfortĂĄvel:

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VocĂȘ nĂŁo estĂĄ vendendo, vocĂȘ estĂĄ traduzindo. VocĂȘ tĂĄ fornecendo contexto para que as pessoas certas entendam o valor que vocĂȘ e seu time estĂŁo criando.

Se vocĂȘ nĂŁo controla sua narrativa, alguĂ©m vai controlar por vocĂȘ. E essa pessoa pode nĂŁo estar torcendo pelo seu sucesso. Resultados importam, mas precisam ser contextualizados, compartilhados, traduzidos
 E nĂŁo como autopromoção, mas como responsabilidade, porque o silĂȘncio aqui nĂŁo demonstra humildade.

O silĂȘncio, nesses casos, sĂł permite que interpretaçÔes imprecisas definam quem vocĂȘ Ă©.

4⃣ Subestimar o poder do networking informal.

Eu não gosto da palavra networking. Juro. Deturparam ela absurdamente. Vou escrever uma edição só sobre isso ainda
 Mas ela precisa ser usada aqui.

E ela precisa ser usada, porque esse cenĂĄrio Ă© muito clĂĄssico: vocĂȘ foca no que Ă© tangĂ­vel: roadmaps, cronogramas, 1:1s, OKRs blablabla. VocĂȘ organiza planilhas, revisa prioridades, alinha expectativas. Tudo documentado, tudo formal, bonitinho


Enquanto isso, decisÔes importantes estão sendo influenciadas em conversas de corredor, grupos de WhatsApp, almoços fora da empresa.

Como? Um colega de outro time consegue audiĂȘncia com o VP. VocĂȘ descobre trĂȘs semanas depois, por acaso, e pensa: "Uai, como ele chegou lĂĄ?"

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A armadilha aqui Ă© assumir que poder formal (hierarquia) Ă© o Ășnico poder que importa.

Se vocĂȘ nĂŁo mapeia as estruturas informais da organização, vocĂȘ com certeza tĂĄ operando com metade do contexto: em toda empresa, existe o organograma oficial e existe o organograma invisĂ­vel onde as coisas realmente se movem.

É tipo o backstage que nem todo mundo tem acesso
 Risos.

O que fazer aqui, então? Aprender a ler esse mapa “escondido”.

Um framework legal pra usar Ă© a matriz de poder e influĂȘncia pra categorizar as pessoas ao seu redor:

  • Alto poder e alta influĂȘncia: sĂŁo stakeholders crĂ­ticos (gerencie de perto).

  • Alto poder e baixa influĂȘncia: mantenha satisfeitos.

  • Baixo poder e alta influĂȘncia: mantenha informados (sĂŁo seus conectores).

  • Baixo poder e baixa influĂȘncia: monitore.

Perguntas Ășteis pra vocĂȘ refletir no seu trabalho sobre isso:

  • Quem as pessoas consultam antes das reuniĂ”es formais?

  • Quem costura alinhamentos nos bastidores?

  • Quem traduz decisĂ”es para o resto do time?

  • Quem tem a confiança das pessoas certas, mesmo sem tĂ­tulo correspondente?

Essas sĂŁo as pessoas que compĂ”em esse mapa escondido, que Ă© como uma estrutura paralela que define como a influĂȘncia realmente flui. VocĂȘ nĂŁo precisa fazer politicagem e puxar saco, mas precisa construir pontes autĂȘnticas com quem tem influĂȘncia real.

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A influĂȘncia numa empresa funciona mais como ĂĄgua do que como organograma: ela ignora as caixinhas do PowerPoint e escorre pelos relacionamentos que ninguĂ©m desenhou.

Toda organização tem dois mapas
 Os profissionais iniciantes olham apenas pro oficial, porque Ă© o que lhe foi entregue. O experiente aprende a ler o escondido, porque Ă© lĂĄ que o jogo acontece de verdade.

ALGUMAS INDICAÇÕES PRA VOCÊ LER, OUVIR (OU PELO MENOS DAR UMAS RISADAS).

Boa, chegamos ao final de mais um 1:1!

Se vocĂȘ acha que ainda podemos melhorar, por favor, nĂŁo hesite em mandar o feedback!

O que vocĂȘ achou dessa edição?

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Se eu puder ajudar com algo, nĂŁo hesite em me mandar uma DM e dizer que veio do the jobs.

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Um abraço e let’s f*cking go,

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