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👋 Fala, Jobs!
Se você não leu a edição da semana passada, sugiro dar uma atenção a ela, porque ela é muito relevante pro exercício que estamos construindo: uma baita revisão do ano de 2025.
Essa é a melhor maneira de se planejar para 2026: olhar, primeiro, pro que aconteceu em 2025 e melhorar (inclusive, deixei 📚 mais referências de revisões anuais muito legais pra você aprofundar — elas estão na seção de indicações no final da newsletter).
Uma boa revisão garante um bom planejamento (na verdade, fazer um planejamento sem ter uma boa revisão é mais um exercício de adivinhar do que planejar).

A estrutura que definimos: 3 newsletters, 3 movimentos.
A primeira newsletter, que enviamos na semana passada, teve como foco “olhar para trás”: fazer seu diagnóstico do ano e entender o que aconteceu de verdade. Clique aqui para ler ela completa.
A edição de hoje é a edição de olhar pra dentro, agora que já olhamos pra trás. A ideia é entender sua transformação, quem você virou e qual identidade você reforçou.
Na próxima edição, vamos olhar pra frente: em resumo, vamos olhar para como tomar decisões estratégicas e o que você decide construir daqui pra frente e, inclusive, na próxima edição vamos falar de como você pode usar inteligência artificial pra fazer essa sua revisão completa (mas não espere ela, porque fazer os exercícios da última semana e dessa semana vão garantir um resultado muito melhor depois quando você implementar IA no processo).
Vamos nessa?

13 perguntas e um exercício final pra você identificar exatamente o profissional que se tornou.

Semana passada você olhou pra trás.
Se você realmente parou pra responder aquelas 17 perguntas (e não só passou o olho), provavelmente teve alguns insights desconfortáveis.
Talvez tenha percebido que esteve mais ocupado que produtivo... Ou que evitou conversas importantes... Ou que continuou fazendo coisas que não funcionam mais.
E tá ok, esse é exatamente o ponto: diagnosticar seu ano não é pra te fazer sentir culpado, é pra você finalmente enxergar o que estava meio invisível.
💎 A gente não muda o que a gente não vê.
Só que “saber o que aconteceu” não é suficiente. Você pode ter uma lista gigante de fatos, resultados, conversas evitadas e padrões identificados… E ainda assim entrar em 2026 repetindo tudo de novo.
Porque informação sem processamento vira só mais peso na mochila… E é por isso que a gente precisa dar o segundo passo: olhar pra dentro.
Por que olhar pra dentro?
Você não é a mesma pessoa que começou o ano. Mudou de cargo ou não, foi promovido ou não, ganhou mais ou menos, errou muito e (esperamos) acertou ainda mais…
Você passou por experiências que te transformaram de alguma maneira (e a maioria dos profissionais nunca para pra processar essa transformação). As pessoas apenas seguem, acumulam mais experiências, mais desafios, mais responsabilidades… Sem nunca entender quem estão se tornando.
O problema é que quando você não processa/analisa o que tá rolando, você não escolhe. Você simplesmente "vira" alguém por inércia, por pressão, por imitação e aí daqui 5 anos você acorda e não reconhece mais quem você é.
Então hoje a gente vai ainda mais fundo.
Algumas dessas perguntas vão doer mais que as da semana passada. Outras vão te surpreender. Algumas você vai evitar responder (e isso, por si só, já é uma resposta).

Minha sugestão: leia esse email agora, deixe as perguntas te incomodarem um pouco. Depois separe uma hora na sua agenda e volte pra responder com honestidade.
👉 Comentei na última semana e reforço isso agora: vou compartilhar nessa quinta-feira (18/dez) algumas das minhas respostas pessoais dessa reflexão na minha newsletter pessoal. Pra ler, é só acessar aqui.
E vamos começar com uma pergunta que já é um tapa gigante:
1. O que eu tolero em mim que não toleraria em alguém do meu time?
Essa pergunta revela autoexigência mal calibrada (ou talvez uma autoindulgência disfarçada).
Talvez você se cobre por coisas que não cobraria de ninguém ou talvez se permita atrasos, confusão, falta de clareza que não aceitaria nos outros.
Responder isso com honestidade mostra como você se trata e como isso vaza pra sua liderança, mesmo que você não lidere pessoas atualmente.
A reflexão precisa gerar coerência interna: o padrão que você aplica a si mesmo vira o padrão que você normaliza ao redor.
2. Sou valorizado pelo que faço ou por quem estou me tornando?
Essa pergunta é quase um choque de realidade. Ser valorizado pelo que você faz é perigoso porque te prende: você vira “a pessoa que resolve”, “a pessoa que dá conta”, “a pessoa que entrega”.
Ser valorizado por quem você está se tornando é libertador: você vira “a pessoa que enxerga o todo”, “a pessoa que cria direção”, “a pessoa que constrói confiança”.
Quando responder, use evidências. Não responda no “eu acho”.
Pergunte-se: o que as pessoas vêm até mim buscar? Vêm buscar execução ou vêm buscar julgamento? Vêm buscar braço ou vêm buscar cabeça?
E um aviso de amigo: se o ambiente só te valoriza pelo fazer, talvez você esteja num lugar que recompensa dependência…
A reflexão aqui precisa gerar uma decisão: você vai continuar sendo premiado por ser indispensável — ou vai começar a ser reconhecido por fazer os outros funcionarem sem você? Não é sobre sair de onde você está (mas talvez seja), é sobre mudar como você se posiciona.
3. Em que momentos deste ano eu me senti um impostor? Em quais eu me senti legítimo?
Aqui tem um ponto que pouca gente entende: sentir-se impostor nem sempre é falta de competência. Às vezes é sinal de transição real: você cresceu mais rápido do que a sua autoimagem acompanhou.
Então trate essa pergunta como um mapa. Quando você se sentiu impostor, o que estava em jogo? Era exposição? Autoridade? Conflito? Tomada de decisão? Comparação com alguém?
E quando você se sentiu “legítimo/a”, o que estava acontecendo? Você estava orientando? Fazendo perguntas? Criando estrutura? Protegendo seu time? Tomando uma decisão difícil? Isso revela onde sua atitude de liderança é natural e onde ainda é frágil.
A “mentoria” aqui é: não tente “parar de sentir”. Use o sentimento como informação/dado. A reflexão precisa gerar um plano: como eu fecho a lacuna entre a pessoa que eu sou quando estou bem e a pessoa que eu viro quando estou inseguro?
4. Em quais momentos eu agi mais por medo do que por convicção este ano?
Essa pergunta não é pra te julgar, é pra te tornar consciente. Todo mundo age por medo às vezes, mas a diferença entre profissionais maduros e imaturos é que eles sabem quando isso está acontecendo. Medo de errar, medo de perder status, medo de decepcionar, medo de parecer incompetente, medo de conflito…
Quando você responder, pense em decisões específicas: aquelas em que você encolheu, adiou, suavizou demais ou tentou agradar. Normalmente, essas decisões vêm acompanhadas de justificativas muito bem construídas...
O que essa reflexão precisa gerar é clareza: em quais situações você se trai para se proteger. Sem ver isso, você vai continuar chamando medo de “prudência”.
5. Onde eu fui mais reativo do que intencional?
Reatividade é quando algo acontece fora e você responde no automático. Intencionalidade é quando você escolhe a resposta alinhada com quem você quer ser.
Olhe para situações de estresse, pressão, crítica, urgência, conflito. Como você costuma reagir? Fecha? Ataca? Justifica demais? Se cala? Assume tudo?
Essa pergunta serve para mostrar quem você é quando o sistema nervoso assume o controle.
💎 E aqui vai mais um recado importante de amigo: o seu time convive mais com a sua reação do que com a sua intenção.
A reflexão precisa gerar um compromisso interno: começar a criar um pequeno espaço entre estímulo e resposta, porque é nesse espaço que cresce a virtude (não cargo) da liderança.
6. Que partes de mim eu escondi para ser aceito, respeitado ou promovido?
Essa pergunta exige coragem, porque toca em identidade. Muitas vezes, ao subir de nível, a gente começa a “editar” quem é: a gente “segura” nosso humor, segura vulnerabilidade, segura opinião, segura ambição, segura sensibilidade…
Responder essa pergunta não significa decidir “vou ser 100% eu” (!!!), mas sim perceber o custo de performar um personagem. Quanto mais tempo você sustenta algo que não é genuíno, mais energia isso consome.
E lembre-se: por enquanto, estamos apenas identificando dificuldades… Não estamos pensando em resolver nada. O objetivo é gerar consciência.
7. Quando eu me senti mais inteiro e quando me senti mais fragmentado?
“Sentir-se inteiro/a” é quando pensamento, emoção e ação estão alinhados. Você faz algo e dorme em paz com aquilo. “Fragmentado/a” é quando você age de um jeito, mas sente outra coisa por dentro, um incômodo silencioso.
Pense em decisões, conversas, projetos. Em quais momentos você saiu com sensação de coerência? E em quais saiu com nó no estômago, mesmo tendo “feito o certo”?
Essa pergunta é um radar ético-emocional. Ela te ajuda a identificar seus valores reais, não os declarados.
A reflexão precisa gerar um norte: como você toma decisões que não te quebram por dentro? Talvez tenham coisas importantes aqui a serem ajustadas pra 2026…
8. O que eu comecei a acreditar sobre mim que pode não ser verdade?
Todo ano a gente constrói narrativas internas: “não sou bom nisso”, “sou bom demais nisso”, “eu sempre erro aqui”, “ninguém me leva a sério”, “esperam demais de mim”, “não posso falhar”.
Algumas dessas crenças surgem de experiências reais, mas viram generalizações perigosas. Quando você responder, observe frases internas que começaram a soar como verdades absolutas.
O papel dessa reflexão é separar fatos de histórias, porque nem toda experiência vira identidade.
9. Onde eu deixei de me posicionar para evitar desconforto — e qual mensagem isso passou?
Toda ausência comunica algo. Quando você não se posiciona, alguém interpreta.
Reflita sobre momentos em que você viu algo desalinhado e escolheu o silêncio. Que mensagem isso passou pro ambiente? Permissão? Concordância? Fraqueza? Medo?
Essa pergunta ajuda a entender que liderança não é só o que você faz — é também o que você permite.
A reflexão precisa gerar coragem consciente: não se posicionar também é uma decisão.
10. Onde eu estou sendo leal a uma versão antiga de mim que já não me serve mais?
Essa pergunta é sobre um tipo de lealdade invisível: muitas pessoas continuam tomando decisões para honrar quem elas foram (já fiz muito isso), como, por exemplo, o jovem esforçado, o executor incansável, o “bom funcionário” ou o “resolvedor de problemas” — mesmo quando essa identidade já virou um teto.
Reflita sobre situações em que você pensou: “isso sempre funcionou pra mim” ou “sempre foi assim que eu fiz”. Às vezes, o que te trouxe até aqui é exatamente o que te impede de ir adiante.
A reflexão que isso precisa gerar é libertadora e desconfortável ao mesmo tempo: o que você está mantendo por fidelidade emocional ao passado e não por coerência com o futuro?
11. O que eu sei que deveria mudar, mas ainda não mudei porque isso mexeria com meu senso de identidade?
Algumas mudanças não são difíceis tecnicamente, mas são difíceis emocionalmente. Talvez até a maioria das perguntasa dessa edição, comparadas com as perguntas da primeira, sejam mais “emocionais”.
Talvez você saiba que precisa delegar mais, se expor mais, dizer mais “não”, ser menos central, assumir mais autoridade, acelerar ou até diminuir o ritmo… Mas algo trava.
Quando você responde essa pergunta, não foque no como mudar, mas foque no porquê você não mudou ainda. O que você perderia se mudasse? Controle? Importância? Pertencimento? Segurança?
A reflexão precisa gerar um insight-chave: nem toda resistência é preguiça, muitas vezes é luto por uma identidade que precisa morrer.
12. Em que momentos eu me sinto maior do que o papel que estou ocupando e em quais eu me sinto menor?
Essa pergunta revela desalinhamento fino entre identidade e contexto.
Sentir-se “maior” não é arrogância — é quando você percebe que está subutilizado, comprimido, limitado por escopo, decisões ou ambiente.
Sentir-se “menor” não é humildade — é quando você se cala, se encolhe ou se adapta demais por medo, insegurança ou falta de clareza.
Observe padrões. Em que tipos de situações cada sensação aparece? Com quem? Em quais temas?
A reflexão precisa gerar direção: onde você precisa se expandir — e onde precisa se sustentar melhor sem se diminuir?
13. Que comportamentos eu recompensei e quais eu tolerei que não deveria?
Aqui é onde você descobre que você não cria “sua cultura” com discurso, você cria sua cultura com o que você premia e com o que você deixa passar.
Ao responder, seja concreto: você recompensou velocidade? Qualidade? Lealdade? Política? Proatividade? “Apagar incêndio”?
E o que você tolerou: atraso? vitimismo? passividade? fofoca? desalinhamento? mediocridade? Falta de ownership?
Sua tolerância vira padrão. Se você tolera hoje, você paga amanhã.
Essa reflexão precisa gerar ação: o que eu vou parar de tolerar a partir de agora e como vou sinalizar isso com clareza?
Um exercício final:
Simples e direto ao ponto: pegue tudo o que você escreveu e responda só essas 3 frases:
“Em 2025 eu deixei de ser ______ e comecei a ser ______.”
“O meu maior risco como líder (não só cargo, mas postura) pra 2026 hoje é ______.”
“A versão de mim que eu quero fortalecer em 2025 é ______, e ela aparece quando eu ______.”
Se você responder isso com honestidade, você entendeu a própria transição (e se você não conseguir, talvez não tenha feito um bom exercício de reflexão e precise dedicar um pouco mais de tempo).
ALGUMAS INDICAÇÕES PRA VOCÊ LER, OUVIR (OU PELO MENOS DAR UMAS RISADAS).
📚 Eu já tinha indicado esse artigo incrível aqui como uma das referências pra essa revisão de final de ano. Recomendo demais a leitura, mas também quero deixar essa indicação aqui e também essa daqui.
🎵 Playlists atualizadas: temos uma de playlist de piano pra quem gosta de trabalhar no modo classudo.
🤠 Ahh, e a nossa playlist de country foi atualizada de novo.
Boa, chegamos ao final de mais um 1:1!
Se você acha que ainda podemos melhorar, por favor, não hesite em mandar o feedback!
O que você achou dessa edição?
Nos encontramos na semana que vem — e espero que você consiga traduzir essa edição para o seu dia a dia.
Se eu puder ajudar com algo, não hesite em me mandar uma DM e dizer que veio do the jobs.
🆘 Ou, se for algo mais técnico, clique aqui pra falar com o nosso suporte. Eles resolvem rapidinho.
Um abraço e let’s f*cking go,
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