No nosso 1:1 de hoje: quando falamos sobre produtividade, estamos também falando de priorização, um dos tópicos mais desafiadores do mundo conectado. Porém, vale lembrar que, quando tudo é urgente, nada é urgente de fato.

Essa edição é sobre o que torna alguém capaz de fazer muito. Aliás, mais do que isso. Capaz de fazer muito, rápido.

Você provavelmente conhece alguma pessoa que parece ter pelo menos umas 3 horas a mais no dia.

Veio alguém à mente por aí?

Aquela pessoa que corre religiosamente toda manhã, tem cargo alto e bons números, faz MBA, posta conteúdo, lê 2 livros por mês, consegue manter contato com a família e amigos e ainda treina. Aquela pessoa cuja única evidência de que não está em completa privação de sono é que ela não tem olheiras (ou usa muita maquiagem, risos).

A reação mais comum quando a gente encontra esse tipo de gente é pensar uma de duas coisas: ou essa pessoa nasceu com alguma habilidade sobrenatural de organização, ou ela simplesmente conseguiu fazer um dia ter 27 horas.

Só que a verdade é menos cinematográfica.

Pessoas assim dormem, se cansam, deixam coisa pra depois, erram e também não dão conta de tudo. O que elas costumam ter, no entanto, é um sistema melhor de escolha.

Essa edição vai te ajudar com isso.

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🔵 A FRASE DA SEMANA

“Uma das formas mais perigosas de procrastinação é aquela que parece preparação.”

Sim, forte. Até aconselho a ler duas vezes. Afinal, as pessoas estão se viciando em aprender, ler, consumir… E não em executar.

E se essa frase já foi uma provocação, espere até ler isso aqui. 🫣

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🔵 O PROMPT DA SEMANA

“Com base nas nossas conversas e no quanto você já conhece sobre mim, onde você acha que eu estou aprendendo como forma de adiar a exposição? Usando a preparação como escudo para não ter que tentar de verdade? Não invente respostas se identificar que não tem dados suficientes pra responder.”

Lembre-se: esse prompt só realmente funciona com a ferramenta de IA que mais tem seu contexto profissional. Esse é um prompt que leva em consideração o padrão por trás das suas interações com a IA (e se você ainda não tem boa parte do seu contexto pessoal e profissional em uma IA, você está ficando pra trás).

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🔵 BIG IDEA

É isso que faz algumas pessoas conseguirem executar tanto (não é mágica).

Vamos começar com um exercício rápido:

Se eu te perguntasse o que você viu nos 3 últimos Reels que assistiu no Instagram, você provavelmente não lembraria (pra ser sincero, eu também não)…

Mas se eu te perguntasse quais tarefas do seu dia de ontem estavam realmente alinhadas com a sua prioridade, você lembraria?

Nós costumamos fazer essa pergunta para os membros da nossa comunidade e a resposta decepciona (mas ensina): estar ocupado não é ser útil. Produtividade de verdade não tem nada a ver com viver correndo, lotar a agenda ou aprender mais um método milagroso no YouTube.

Não existe vida onde tudo cabe. Não existe carreira onde você consegue dizer sim para tudo sem pagar preço. Não existe rotina em que trabalho, saúde, estudo, família, ambição, descanso e vida social crescem ao mesmo tempo, na mesma velocidade, para sempre.

Você precisa falar mais “nãos”.

Pessoas muito produtivas fazem mais coisas?

Sim.

Mas não porque elas têm 27 horas no dia e sim porque sabem escolher melhor.

Sabem escolher o que realmente importa agora; o que pode esperar; sabem escolher o que parece importante, mas não deveria estar ocupando tanto espaço assim.

E, principalmente, escolher o que precisa ser sacrificado para que outra coisa avance.

Dizer mais “nãos” e sacrificar mais coisas é a parte menos glamourosa da produtividade e, talvez por isso, uma das mais verdadeiras.

Se você ainda não leu essa nossa edição do início do ano sobre “Como Dizer Mais Nãos, recomendamos a leitura (inclusive, pra conhecer o playbook que criamos com 18 técnicas diferentes, considerando diferentes contextos, de “como dizer não sem prejudicar relacionamentos e proteger seu tempo”).

Sempre que você escolhe aprofundar num projeto, está abrindo mão de começar outros três. Sempre que protege uma manhã de foco, está deixando de parecer disponível o tempo inteiro. Sempre que decide estudar depois do trabalho, está abrindo mão de alguma outra forma de descanso.

Sempre que quiser performar em alto nível, vai precisar aceitar que alguma coisa não vai receber sua melhor versão naquele momento e, em economia, isso tem nome: custo de oportunidade (e suas decisões mostram como você calcula esse seu custo).

“Ok, beleza, o papo tá bom… Mas vamos para a prática?”

Vamos, agora, mergulhar em 3 técnicas que podem te ajudar (e muito) com o assunto de hoje — mas, antes, um recado rápido dos nossos patrocinadores.

🔵 APRESENTADO POR CARREIRA MULLER

Por que falar de salário é um tabu?

Perguntar o salário de alguém é falta de educação. Dizer quanto você quer ganhar é arrogância. Pedir aumento? Folgado.

Não é à toa que falar sobre salário virou um tabu. No fundo, não é só o tema, é o tipo de conversa que ele exige. Estamos falando de uma conversa difícil por natureza.

O ponto é: o tabu não nasce do assunto em si, mas da falta de estrutura pra lidar com ele. E conversas difíceis pedem exatamente isso: estrutura.

A pesquisa salarial da Carreira Muller entra como esse apoio. Com dados reais de +4 mil empresas, ela mostra salários, bônus, PLR, PPR e benefícios praticados no mercado.

Assim, você não precisa improvisar, pode chegar na conversa com clareza, segurança e argumento. Veja aqui se o seu salário tá competitivo.

Agora, voltando ao tema do nosso 1:1 de hoje:

3 técnicas pra você “buscar suas 3h a mais no dia” e se tornar uma pessoa mais produtiva.

1️⃣ A Estrela Norte.

A North-Star Metric é um conceito clássico muito usado em startups Vale do Silício, mas ele é útil justamente porque resolve um problema muito humano: a tendência de confundir fazer muita coisa com progresso real.

Contexto rápido pra você entender:

Pensa no Airbnb. Durante a fase de crescimento, a empresa podia olhar para dezenas de números diferentes: downloads, cadastros, anúncios criados, tráfego no site, tempo de navegação. O problema é que nenhuma dessas métricas, isoladamente, dizia se o negócio estava realmente funcionando.

Então eles escolheram uma métrica central: noites reservadas.

É simples, mas muito inteligente. Quando uma noite é reservada, uma série de coisas certas precisou acontecer ao mesmo tempo. A plataforma precisou funcionar, o anúncio precisou existir, o hóspede precisou encontrar valor e a transação precisou acontecer. A métrica condensava o que realmente importava.

A consequência prática disso é que todo o resto começou a ser filtrado a partir dessa pergunta: isso aumenta noites reservadas ou não?

Como isso se traduz pra sua carreira e seu trabalho?

Qual é o indicador ou o objetivo que vai fazer seu chefe te dizer “você é um ótimo profissional”? Precisa ser um só, porque isso força você a entender o que gera mais resultado.

Talvez seja liderar melhor. Talvez seja aprender a vender. Talvez seja construir reputação numa área específica. Talvez seja virar referência de execução. Talvez seja ser a pessoa que resolve projetos difíceis sem supervisão constante. Tanto faz, na verdade.

O que importa é quanto tempo da sua agenda nos últimos dias estava dedicado a melhorar esse indicador? Poucos profissionais se fazem essa pergunta (e sim, é óbvio que você sempre vai ter algumas tarefas operacionais e outras que não agregam tanto, todo mundo tem).

2️⃣ A Agenda Paul Graham.

Se você não conhece o Paul Graham, vale pesquisar. É um dos maiores empreendedores e investidores do Vale do Silício. Ele tem um artigo que virou referência no mundo da gestão chamado “Maker’s Schedule, Manager’s Schedule” (”agenda de executor, agenda de líder”).

A ideia é simples:

Existem rotinas que funcionam em blocos curtos, fragmentados, com várias reuniões e interrupções (que é o que ele chama de “agenda do líder”) e existem rotinas que dependem de blocos longos de concentração para que algo relevante seja produzido (que é a “agenda do executor”).

Quem escreve, programa, desenha, analisa ou constrói coisas mais complexas costuma sofrer muito quando a agenda é quebrada o tempo inteiro.

E isso conversa com um dado da RescueTime que ficou bem conhecido: o profissional médio tem menos de 3 horas de trabalho realmente focado por dia e lida com interrupções constantes.

Como isso se traduz pra sua carreira e seu trabalho?

Sua pergunta principal não pode ser “como faço mais no meu dia?”. Essa é uma pergunta ruim. A pergunta certa é “como eu protejo as poucas horas em que realmente consigo produzir algo importante?”.

É por isso que gente muito produtiva parece, às vezes, meio chata com calendário. Elas bloqueiam horário, recusam reunião sem contexto, evitam interrupção desnecessária, tentam agrupar tarefas rasas, deixam partes do dia menos acessíveis e tratam foco como recurso escasso.

A gente sabe que dentro dos leitores da better work, esse número é bem dividido. Tem gente que consegue “mexer na própria agenda” e tem gente com menos liberdade.

Mas mesmo com liberdade menor sobre o calendário, o conceito de Task Batching (agrupar tarefas semelhantes dentro do mesmo bloco de tempo) ainda é factível: responder todos os e-mails de uma vez. Fazer todas as revisões juntas; separar um momento fixo para mensagens ao invés de responder no gatilho.

Isso reduz o custo cognitivo (altíssimo) de ficar trocando de contexto o tempo inteiro. Você pode não conseguir ajustar sua agenda, mas você pode concentrar a execução das suas tarefas similares.

Como você está organizando suas tarefas no seu dia? Elas simplesmente chegam e se acumulam? Ou existe algum racional pra executá-las?

3️⃣ Viés de Execução.

Existe um conceito do Jeff Bezos que conversa muito bem com produtividade pessoal: a diferença entre decisões Tipo 1 e Tipo 2 (one way door decision + two way door decision).

As decisões Tipo 1 são irreversíveis ou muito difíceis de desfazer (por isso que são “one way door” decisions). Essas realmente pedem mais análise, mais cuidado e, às vezes, mais gente envolvida.

Já as decisões Tipo 2 são reversíveis. Se der errado, você ajusta depois.

O problema é que muitos profissionais costumam tratar quase tudo como se fosse Tipo 1, sendo que deveriam ser tratadas como Tipo 2.

É gente que revisa demais, pensa demais, pede validação demais, espera o momento ideal, coleta mais informação do que precisa e transforma pequenas decisões operacionais em um drama estratégico.

Ou seja: muita gente tem um viés fraco de execução.

Como isso se traduz pra sua carreira e seu trabalho?

Pessoas rápidas, em geral, tem esse viés pra execução. Uma inclinação de sair fazendo as coisas. Não é imprudência, é que elas entendem que boa parte das decisões do dia a dia pode ser corrigida no caminho.

Isso muda tudo.

Porque, quando você para de agir como se cada e-mail, cada apresentação, cada conversa ou cada mini projeto fosse definitivo, você ganha velocidade.

E buscar mais velocidade é, definitivamente, o maior aprendizado que você deve tirar dessa edição de hoje.

Tem muita gente talentosa travada porque está tentando acertar antes de andar e aí, enquanto isso, alguém menos brilhante, só que mais veloz, testa, aprende, ajusta e avança.

Produtividade também é isso: reduzir o tempo entre pensar e agir quando o risco de errar é administrável.

Antes de fechar esse email, um conselho de amigo:

Para a maior parte das pessoas (e talvez você), a maior parte do cansaço não vem por fazer, mas por estar constantemente se preparando e nunca se expor de verdade.

Na ideia de se preparar para entregar algo perfeito, estudam, refinam, organizam, revisam...

E, enquanto tudo parece produtividade, mas nem sempre vira algo real, e esse é o perigo: a preparação excessiva parece virtude.

Só que, quando ela não te aproxima da ação, vira apenas mais uma coisa para ocupar a sua cabeça.

Se você se prepara para uma maratona, mas nunca corre ela, então apenas gastou dinheiro em sapatos caros e suplementos alimentares.

Algumas outras perguntas que podem te ajudar a gerar clareza:

  1. Se alguém observasse sua agenda da última semana, o que ela diria sobre o que você considera importante?

  2. Qual é a coisa que você está "ainda preparando" há mais de 30 dias e que, no fundo, você já sabe o suficiente pra começar?

  3. No fim do dia, você costuma sentir que trabalhou muito ou que avançou muito. Mas você sabe a diferença entre as duas coisas?

🔵 PARA APROFUNDAR:

Se você quiser assistir à aula com os executivos de Google, Ambev, Waze e iFood que inspirou essa edição (e muitos outros conteúdos exclusivos como playbooks, cases de carreira e bibliotecas de prompts), conheça o Copiloto de Carreira, o app da better work, clicando aqui.

No Copiloto de Carreira, você vai ter acesso a:

  • Playbooks práticos e completos para ler em poucos minutos e aplicar no seu dia a dia os conteúdos discutidos aqui na better work;

  • Assistentes de IA criados para tarefas e decisões do dia a dia corporativo;

  • Banco de prompts de IA validados e já testados por centenas de profissionais;

  • Cases de carreira (são como podcasts exclusivos) com executivos das maiores empresas do Brasil e mundo;

  • Masterclasses com especialistas em temas relevantes pra sua carreira.

Sabe qual o melhor? +620 profissionais já testaram o Copiloto de Carreira e estão lá dentro do nosso aplicativo. Quando você estiver pronto/a, venha fazer parte.

Nos encontramos na semana que vem e espero que você consiga traduzir essa edição para o seu dia a dia.

Se eu puder ajudar com algo, não hesite em me mandar uma DM e dizer que veio da better work.

🆘 Ou, se for algo mais técnico, envie um email pra [email protected] e a gente resolve rapidinho.

Um abraço,

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