
Boas-vindas às novas 113 pessoas que se inscreveram na better work na última semana! Agora, somos 121.932 futuros&novos líderes construindo a maior comunidade de carreira do Brasil.
👋 BOA TARDE.
Tem uma habilidade que nenhum curso ensina, mas que separa, na prática, quem cresce de quem fica parado: saber pedir ajuda.
A maioria das pessoas associa isso com fraqueza e as que chegam mais longe entenderam que é o oposto (mas também sabem que existe o jeito certo de pedir ajuda pra isso não ser um tiro no pé).
🔵 Spoiler da edição de hoje: o conselho “não custa nada perguntar” é um conselho ruim.
No nosso 1:1 de hoje:
1⃣ O que a trajetória de uma das maiores executivas do mercado financeiro brasileiro revela sobre pedir ajuda como estratégia de carreira (não como vulnerabilidade);
2⃣ Por que a ciência mostra que a gente sistematicamente subestima a disposição das pessoas em ajudar;
3⃣ Como o ego aparece disfarçado de autonomia e responsabilidade (e como evitar isso);
4⃣ E o principal da edição de hoje: o playbook prático pra você aumentar sua senioridade na relação com outras pessoas (e saber fazer pedidos que funcionam).
A maior comunidade do Brasil de profissionais do mundo corporativo está com vagas abertas.

Você vai desejar ter entrado antes.
Você já sabe que nós criamos uma Trilha de IA pra quem especialmente pra quem é do mundo CLT, certo?
O que você ainda não sabe é como a nossa comunidade funciona e nós queremos te dar um spoiler: nessa quarta-feira, os membros do Better Work Club, nossa comunidade com mais de 730 profissionais, terão uma aula ao vivo.
É uma aula além da trilha de IA pro mundo CLT…
E é uma aula ao vivo com duas CHROs (Diretoras C-Level de RH/Pessoas) incríveis: Luiza Ribeiro, que liderou essa área na XP, e Roberta Valezio, CHRO do Banco Neon. Nós vamos falar sobre como o RH está enxergando a adoção de IA nas empresas, o que tá certo, o que tá errado, como você pode se posicionar muito melhor perante seus líderes e seu RH.
Nós só queríamos deixar esse spoiler aqui pra você, porque esse é o tipo de evento ao vivo que acontecerá 2x/mês na nossa comunidade.
Nos encontramos ao vivo quando você estiver pronto/a pra esse próximo passo.
🔵 O PROMPT DA SEMANA
“Com base nas nossas conversas e no quanto você já conhece sobre mim e meu trabalho, me diga: onde eu estou enrolando na minha carreira enquanto digo a mim mesmo que estou sendo estratégico? Que decisão eu estou evitando ao chamar isso de paciência? Não invente respostas se identificar que não tem dados suficientes pra responder.”
Copie e cole esse prompt na sua ferramenta preferida de IA, mas lembre-se: esse prompt só realmente funciona com a ferramenta de IA que mais tem seu contexto profissional. Esse é um prompt que leva em consideração o padrão por trás das suas interações com a IA (e se você ainda não tem boa parte do seu contexto pessoal e profissional em uma IA, você está ficando pra trás).
🔵 A DICA DA SEMANA
👉🏻 Tá no ar a 4ª edição do Planeta Firma, o anuário de benefícios e práticas corporativas criado pela Swile, referência em benefícios corporativos no Brasil, e pela Leme Consultoria. O material reúne o que está moldando o futuro do RH no país, em números, comportamentos e práticas reais. Clique aqui para acessar de forma gratuita.
🔵 BIG IDEA
Conheça uma das mulheres mais influentes no mercado financeiro brasileiro (e o que ela pode te ensinar sobre carreira).

Essa é a Betina Roxo e ela pode te ensinar muito sobre carreira.
Betina Roxo é economista, estrategista-chefe da Apex Partners e uma das vozes que ajudaram a traduzir o mercado financeiro para pessoas comuns.
Antes disso, foi estrategista-chefe da Rico, criou a área de research da XP, passou por HSBC, Bank of America e Stone, e liderou times de conteúdo, comunicação e influência.
Pode confiar na Better Work: trouxemos uma executiva que entrou como estagiária em um dos mercados mais hierárquicos do Brasil e foi parar no topo de operações de análise de grandes instituições financeiras (e em 2023 ela entrou pra lista da Forbes Under 30).
Clique aqui nesse texto aqui para seguir a Betina no LinkedIn (adicione ela e comente que veio da better work, ela vai adorar 😉) e nesse texto aqui pra acompanhar o Instagram dela, que também é bem ativo.
Nós fizemos uma entrevista completa com a Betina para os membros a nossa comunidade, o Better Work Club, e vamos trazer os principais insights aqui pra você que é membro da newsletter PRO.
O que chamou a nossa atenção na conversa com a Betina não foi a lista de empresas pelas quais ela passou e onde liderou...
Poderia ter sido sobre visibilidade, ou liderança, ou versatilidade e transição de carreira, pressão, exposição e construção de reputação. Ela é ótima em tudo isso.
Mas existe um fio conector que atravessa praticamente tudo que ela contou pra gente: a Betina cresceu porque soube pedir ajuda e é essa história real (com algumas referências adicionais incríveis) que vamos contar hoje.
Por que isso importa?
Antes de aprofundar na história da Betina, vale olhar pra uma descoberta que muda a forma como a gente interpreta o problema e entender o que a ciência diz sobre por que a gente não costuma pedir muita ajuda:
Em 2022, a psicóloga social Xuan Zhao, pesquisadora de Stanford, publicou um estudo com mais de 2.100 participantes com uma conclusão clara: as pessoas sistematicamente subestimam a disposição das outras em ajudar, subestimam o bem-estar que os ajudadores sentem ao ajudar, e superestimam o inconveniente que o pedido causa.

Em outras palavras, o mapa mental que a gente usa pra decidir se pede ajuda ou não tá errado: a gente acha que vai incomodar mais do que incomoda, a gente acha que a outra pessoa vai ficar menos feliz em ajudar do que vai, e a gente acha que os outros estão menos dispostos a contribuir do que realmente estão.
Esse viés custa caro, porque ele faz a gente resolver sozinho o que poderia ser resolvido em poucos minutos com a pessoa certa ou faz a gente carregar durante semanas um problema que um colega sênior já passou.
🔵 Quer ver outra referência muito legal?
A Heidi Grant, psicóloga social e autora do livro “Reinforcements: How to Get People to Help You” publicado pel aHarvard Business Review Press, defende que pedir ajuda não é só uma questão de coragem, mas de clareza: quanto melhor você estrutura o pedido, mais fácil fica para a outra pessoa realmente contribuir.

O problema, segundo ela, é que nossos instintos sobre como pedir ajuda costumam estar errados, e por isso a gente faz pedidos que confundem ou até afastam quem poderia nos ajudar
Essas duas descobertas apontam pro mesmo lugar: pedir ajuda é uma habilidade (não um traço de personalidade, nem uma questão de ter humildade suficiente).
Os principais aprendizados com Betina Roxo.

Vamos começar com o ponto de saber pedir ajuda, já que trouxemos esse como o principal assunto da conversa.
Pra ela, o ato de pedir ajuda funciona como um método de conquistar relevância, quase como uma ferramenta de trabalho. Admitir que ainda não sabe, reconhecer que alguém tem mais repertório pra ler uma situação, aceitar que outra pessoa pode encurtar uma curva que você, por orgulho ou medo, estava tentando atravessar sozinho: isso é uma das coisas mais maduras que um profissional ambicioso pode fazer.
A parte difícil é que isso cutuca uma área sensível de todo profissional ambicioso: a vontade de parecer pronto, que surge mesmo antes de estar pronto (e aí, se identificou aqui?).
Só que parecer pronto, em muitos casos, só deixa você mais sozinho com o problema. Inclusive, esse é um trecho bem legal da nossa conversa:
Ela conta que um chefe pediu para que assumisse uma responsabilidade nova que ela não conhecia. A resposta que deu foi muito simples e, por isso mesmo, mais madura: "eu vou tentar e vou fazer, mas nunca fiz isso na vida".
Essa frase parece pequena, mas pensa no quanto de confiança ela gerou. Ela não fingiu que sabia., não inventou competência e entregou honestidade com disposição, que é uma combinação que poucos conseguem sustentar quando o ego tá gritando pra parecer pronto.
E caso você tenha ambição de crescer na carreira, esse é o ponto que importa:
Profissionais bons não são os que nunca precisam de ajuda, mas os que aprendem a pedir ajuda antes que o problema fique caro demais.
O seu ego sabe se disfarçar.

A gente tem o costume de imaginar o ego como uma coisa barulhenta e óbvia: aquela pessoa que fala alto demais, não escuta ninguém e precisa transformar qualquer conversa em prova pública do quão superior ela é.
Só que ele aparece muito mais em versões discretas e esse é o problema: ele consegue se disfarçar como virtude.
Quer ver alguns exemplos de quando ele aparece?
Quando você não faz uma pergunta porque tem medo de parecer júnior;
Quando sofre sozinho com uma decisão porque acha que pedir uma leitura de cenário seria incomodar;
Quando prefere entregar algo menos trabalhado a admitir que precisava de revisão.
Quando recusa orientação porque, no fundo, quer que o mérito pareça inteiro, limpo e 100% seu.
Em todas essas situações, o ego tá lá, só que com roupa de responsabilidade… Fica fácil chamar orgulho de "não quero dar trabalho".
Mas se a decisão piora, se a entrega atrasa ou se o risco cresce porque você demorou demais para envolver alguém, se privar de ajuda foi uma atitude irresponsável sua.
Quando você não pede ajuda por orgulho, o problema deixa de ser técnico e vira emocional: você não está mais tentando resolver do jeito mais eficiente, está tentando proteger uma imagem falsa.
E a nossa personalidade, sentimentos e crenças afetam muito mais a nossa carreira do que costumamos dar crédito.
Proteger sua imagem é um jeito caro de tomar decisão.
O que a Betina entendeu cedo
Um dos melhores exemplos da entrevista vem do começo da carreira da Betina, quando ela era estagiária no HSBC.
Na área dela, os times eram divididos em núcleos pequenos. O caminho mais natural seria falar com o próprio chefe, com as poucas pessoas do setor, e seguir o fluxo do trabalho, especialmente em um mercado em que hierarquia, senioridade e reputação sempre pesaram bastante.
Ela fez diferente.
Betina conversava com pessoas de outros núcleos, pedindo ajuda operacional, o que naturalmente a fazia sair da própria bolha. Fazendo isso, aprendia mais rápido e criava relação com pessoas que enxergavam partes diferentes do jogo.
Só que quando chegou o momento de ser efetivada, não havia vaga no HSBC.
Ela ficou chateada, como qualquer pessoa ficaria, só que algo importante aconteceu: várias lideranças, e não só o chefe direto, a recomendaram para uma vaga no Bank of America.
Uma pessoa da liderança do BoA chegou a comentar que o mais incomum era a quantidade de gente que tinha recomendado uma estagiária. O normal seria um estagiário ser lembrado apenas pelo chefe direto, mas no caso dela, havia toda uma rede por trás.
O mais importante aqui:
A ajuda não começa no dia em que você precisa dela. Ela começa antes, nas conversas que você puxa sem obrigação, nas perguntas que faz sem medo, nas relações que cria quando ainda não tem nada urgente para pedir.
Networking, quando é ruim, parece transação, mas quando é bom, parece repertório compartilhado (acho que vamos ter que fazer uma edição focada em networking em breve, o que acham?).
Perguntar custa sim, e você deveria sempre lembrar disso.

Existe um conselho que circula bastante em conversa de carreira: "não custa nada perguntar."
Cuidado com ele.
Perguntar custa sim. Um pedido mal feito, sem preparação, num timing ruim ou sem cuidado com o tempo de quem recebe, deixa uma má impressão sobre o seu julgamento.
Mesmo que a pessoa diga sim, a forma como você perguntou é um reflexo de como você pensa. Se ela sentir que você não se preparou, que não considerou os incentivos dela, que não pensou antes de chegar, ela pode criar uma percepção não tão boa sobre você.
O que vale perguntar antes de qualquer pedido relevante: quais são os incentivos dessa pessoa? Qual é a nossa dinâmica de poder? O que faria ela querer dizer sim?
Não nos entenda errado: nós acreditamos que você deve perguntar e pedir ajuda. O ponto é: antes de perguntar, organize e pense, porque o que você quer, no fundo, não é perguntar, é ouvir um sim (e um sim tem muito mais chance de acontecer quando você chegou preparado).
Anota essa:
Ninguém gosta de ser chamado pra resolver um problema que a própria pessoa ainda não tentou entender.
A Betina reforça esse ponto com clareza: pedir ajuda bem requer curadoria. Significa chegar com organização, saber onde você travou e respeitar o tempo de quem está entrando na conversa.
Como pedir ajuda sem parecer perdido?

Pedir ajuda mal feito tem um custo duplo: você não resolve o problema e ainda sinaliza fragilidade pra pessoa errada.
E pedir ajuda bem feito pode ser a diferença entre construir aliados (já falamos sobre isso nessa edição aqui sobre sponsors) e construir uma reputação de quem só despeja problemas.
Isso é uma habilidade e, como toda habilidade, melhora quando sai do improviso.
Dito isso, vamos ao playbook prático:
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