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Na semana passada, eu entrevistei no evento seis&seis do the news o Presidente da Motorola, o CEO da Pirelli e a CMO do StarkBank.

Em breve, essa entrevista completa vai virar um material bem legal por aqui, mas enquanto isso não acontece, escrevi essa edição pra deixar um dos insights mais importantes que captei na entrevista (junto com outras ótimas referências).

Olha o que inspirou essa edição:

  • De 1998 a 2003, o Rodrigo Vidigal, hoje Presidente da Motorola, foi Diretor de Marketing na Claro.

  • De 2009 a 2013, ele foi Diretor de Marketing da América Latina na Motorola.

  • Só que de 2013 a 2016, ele voltou pra Claro como Diretor Executivo de Marketing…

  • E o melhor: depois ele voltou pra Motorola, onde hoje é o Presidente.

E aí, obviamente, o que ficou na minha cabeça é: o que faz um profissional como ele conseguir ter tantas portas abertas e credibilidade a ponto de sair e voltar de grandes empresas assim?

Não vou dar mais spoilers, mas é nessa resposta que vamos aprofundar hoje.

Toda semana, um prompt novo pra te tirar do piloto automático e repensar áreas da sua carreira e vida profissional que você não costuma parar pra pensar.

O prompt dessa edição é:

Com base nas nossas interações e no quanto você já conhece sobre mim, qual é a distância entre quem eu sou no trabalho e quem eu sou em todo o resto? O que eu estou suprimindo profissionalmente que pode me beneficiar se eu expressar?

Não me dê uma resposta genérica ou motivacional. Quero uma análise honesta, específica e útil. Me ajude a pensar sobre isso e não invente respostas se identificar que não tem dados suficientes pra responder.

Copie e cole esse prompt na sua ferramenta preferida de IA, mas lembre-se: esse prompt só realmente funciona com a ferramenta de IA que mais tem seu contexto profissional e que possuem a memória configurada (em outras palavras: com a IA que você mais usa), porque esse é um prompt que leva em consideração o padrão por trás das suas interações com a IA.

….

*Este aviso é só pra quem tá criando alergia ao tema de Inteligência Artificial, mas sabe que isso pode ajudar se aprender do jeito certo.

Com quantas dessas aqui você se identifica?

  • Tá muito difícil acompanhar tudo que acontece com IA, porque a maioria dos conteúdos envolvem um sensacionalismo exagerado.

  • Não é tão simples identificar onde exatamente IA pode ser aplicada no meu dia a dia, considerando as particularidades do meu trabalho.

  • Minha empresa não libera acesso às principais ferramentas, então acho que não dá pra usar IA tão bem no meu trabalho.

  • É muito complexo pra uma pessoa que não é de tecnologia e nunca mexeu em sistemas pra aplicar IA com sucesso no trabalho.

Se você se identificou com pelo menos duas dessas, nós temos uma novidade muito boa pra você: no dia 09/09, vamos fazer a 2ª edição do “fluênc.ia”, nossa aula ao vivo compartilhando como profissionais do mundo CLT que não são técnicos podem aplicar IA e se diferenciar (muito) com isso enquanto ainda existem poucas pessoas aplicando bem IA.

Pense nisso como o empurrão que você precisava pra sair do básico, que é onde você está agora.

🔵 Por que vai ser tão importante:

Nós estamos entrevistando CEOs e Diretores de RH pra juntar as respostas do que realmente diferencia um profissional e como você, no mundo corporativo, consegue aplicar IA no seu dia a dia, específico pra sua área de atuação.

Nós vamos te apresentar isso no “fluênc.ia 2.0”, a aula ao vivo que faremos no dia 09/09, às 19h30.

  • Pra quem é? Profissionais e líderes do mundo CLT que querem aprender onde e como IA pode ser aplicada no seu dia a dia, personalizado pro seu trabalho.

  • O conteúdo fica gravado? Não, e por isso avisamos com tanta antecedência.

Na 1ª edição do fluênc.ia, mais de 1.700 profissionais participaram. Você vai participar da próxima?

….

O "feijão com arroz" pra crescer no corporativo que você provavelmente está esquecendo de fazer.

Falar sobre “o que é novo” dentro do campo de desenvolvimento profissional e carreira é sempre muito sedutor… Tem sempre um novo app pra te fazer mais produtivo, um novo livro com uma nova ideia, uma nova ferramenta, uma nova IA.

Mas o ponto é que quando você conversa com gente que já chegou onde muita gente quer chegar, a conversa costuma ser bem menos “emocionante”.

Eu nunca vi um grande executivo/líder apontar alguma descoberta revolucionária como a principal explicação pra carreira longa, reputação forte ou uma sequência consistente de boas entregas. Normalmente, eles falam de coisas muito mais simples, repetidas por muito mais tempo.

(A não ser, claro, que estejam tentando vender um curso pra você, risos.)

Brincadeiras à parte, isso é a melhor introdução que eu poderia fazer pra essa edição, porque na entrevista que fiz com o Presidente da Motorola, o CEO da Pirelli e a CMO do StarkBank na semana passada, ficou muito claro que “não existe atalho” no ponto de vista deles.

Você pode impressionar o chefe uma ou outra vez, pode fazer uma ótima apresentação, acertar uma grande decisão ou entregar um projeto excelente, só que construir uma reputação capaz de atravessar empresas, mudanças de cargo e anos de distância exige outra coisa: exige repetição.

Um bom jeito de definir credibilidade é “a memória que as pessoas constroem sobre você depois de verem, muitas vezes, como você trabalha, como reage, como entrega e como trata quem está ao seu redor” (repare no “muitas vezes” na frase acima).

Talvez por isso algumas das coisas mais importantes para uma boa carreira sejam também as que parecem mais óbvias, mas que muitas vezes deixamos de lado por estarmos buscando “a novidade”.

Hoje, vamos aprofundar em 6 práticas que comprovadamente vão te diferenciar no longo prazo, e nós pesquisamos 6 referências diferentes pra cada uma dessas práticas, filtrando e priorizando as pessoas com os maiores resultados/sucesso pra cada uma das práticas.

E eu já te adianto: a 5 é a mais inesperada e a 6 é a que mais vai gerar resultado imediato (e sim, coloquei elas intencionalmente ao final).

.…

🔵 Se essa lista de 6 práticas fosse um checklist, quantos pontos você marcaria?

1⃣ Como nunca começar um dia perdido.

A maioria das pessoas começa o dia abrindo o e-mail, o Slack, o WhatsApp ou entrando direto na primeira reunião. Quando isso acontece, você passa boa parte do dia respondendo às prioridades que chegaram até você, em vez de decidir conscientemente onde sua atenção deveria estar.

Antes do caos começar, você deveria saber quais são as 3-6 coisas que mais importam hoje.

Pode ser reservar um tempo para preparar uma apresentação importante antes que ela vire uma urgência, conversar com alguém do time que parece estar mais distante ou bloquear 90 minutos para pensar com calma em uma decisão que você está adiando. O conteúdo muda, mas o exercício continua igual: escolher antes de reagir.

🔵 A referência dessa boa prática:

Escolher antes de reagir” é a melhor resposta pra ser organizado, produtivo e saber priorizar há mais de 100 anos. Olha essa história:

Em 1918, o consultor Ivy Lee apresentou ao executivo Charles M. Schwab, que era um dos homens mais ricos do mundo, um método de produtividade tão simples que cabia em poucos minutos: o final de cada dia, Schwab tinha que escrever as tarefas mais importantes do dia seguinte, colocar elas em ordem de prioridade e, na manhã seguinte, começar pela primeira.

Absurdamente óbvio (parece), mas isso gerou tanto resultado pra empresa do Schwab que o Lee recebeu o equivalente a 400 mil dólares por isso.

Mais de 100 anos depois, ainda tem gente procurando aplicativos, métodos e sistemas cada vez mais sofisticados para resolver um problema que, em boa parte dos casos, começa com uma decisão muito básica: saber quais poucas coisas realmente importam antes que o resto do mundo decida isso por você e escrever isso num caderno.

2⃣ Seu cérebro precisa de “tempo não produtivo”.

Se a sua agenda está completamente ocupada por reuniões, mensagens, decisões e tarefas operacionais, existe uma boa chance de você estar passando a semana inteira reagindo ao trabalho sem criar espaço para pensar sobre ele.

Parece fácil falar “bloqueie tempo na sua agenda”, mas o caminho é exatamente esse. Criar compromissos (se preferir, envolva pares pra fazerem isso com você e se cobrem) vai facilitar bloquear tempo e, quando você pensar em responder que não tem tempo, abra as configurações do seu celular e procure por “tempo de tela”, porque isso já provavelmente vai te mostrar de onde você pode puxar 30min. 😉

Talvez uma boa pergunta pra não cair (tanto) no óbvio aqui seja: qual foi a última vez que você realmente conseguiu tirar 30min consistentemente pra pensar nos próximos passos da sua carreira e dos eu trabalho?

Esse é o tipo de pausa que te ajuda a enxergar padrões que desaparecem quando você tá mergulhado na execução. Crie mais perspectiva.

🔵 A referência dessa boa prática:

2x por ano, o Bill Gates vai pra um chalé e se isola do mundo pra ler livros e estudar temas relevantes pro trabalho. Eu sei que você também não é bilionário, mas é importante você saber que ele começou isso lá nos anos 80.

Curiosidade: foi numa dessas semanas, em 1995, que ele escreveu um memorando famoso chamado “Internet Tidal Wave” que ajudou a redirecionar a Microsoft pra se tornar o gigante que é hoje.

Provavelmente você não tem um chalé no interior, nem bilhões na conta, muito menos semanas de tempo sobrando (se bem que o Bill também não tinha semanas sobrando, ele diz que isso fazia parte do trabalho), mas você tem 30min na sexta-feira ou em outro momento em que as pessoas não estejam pedindo coisas pra você.

E cuidado, porque quanto mais responsabilidade você acumula, mais fácil fica ocupar todo o seu tempo tomando decisões e menos tempo sobra para pensar sobre quais decisões realmente merecem ser tomadas.

3⃣ Nem preto, nem branco: falar sobre carreira é cinza.

Uma das 6 práticas “feijão com arroz” aqui é manter frequência de conversa com sua equipe (ou com seu líder, se você não tem equipes).

Já perdi a conta de quantos líderes já vi inventando desculpas pra não fazer seus 1:1s (e posso me incluir nessa em alguns momentos, pra ser bem sincero).

🟢 Eu posso citar que Kim Scott (uma das maiores treinadoras de comunicação no mundo corporativo), Ben Horowitz (um dos maiores investidores do mundo) e Reed Hastings (um dos fundadores do Netflix) defendem fazer 1:1s.

Scott trata o 1:1 como uma das conversas mais importantes da liderança. Horowitz vê essas reuniões como parte fundamental da arquitetura de comunicação de uma empresa, especialmente para permitir que informações, críticas e problemas cheguem até quem toma decisões. Hastings chegou a dedicar uma parcela relevante do próprio tempo a conversas individuais, inclusive com pessoas que estavam vários níveis abaixo dele na organização.

🔴 Mas eu poderia citar também que Mark Zuckerberg (fundador do Facebook) já disse que não faz 1:1s recorrentes com seus diretos, que Jensen Huang (fundador da Nvidia) vai além e diz que desencoraja esse tipo de reunião, porque prefere discutir problemas e feedbacks diante do grupo, para que todos aprendam ao mesmo tempo; e que Brian Chesky (fundador do Airbnb) também critica o modelo tradicional de 1:1 agendado e recorrente, preferindo conversas individuais quando existe um motivo concreto.

Não existe resposta certa pro que fazer, mas existem padrões. Perceba que até a turma que não faz 1:1 fala que comunica com frequência com suas equipes. O princípio é único: líderes precisam criar mecanismos para entender o que está acontecendo antes que problemas pequenos fiquem grandes demais.

E se você quer um bom manual de como fazer essas reuniões 1:1s, é melhor você ler esse texto aqui.

4⃣ Só existe um jeito de terminar reuniões.

Uma reunião pode ter uma ótima discussão, boas ideias e pessoas inteligentes na sala e, ainda assim, desperdiçar o tempo de todo mundo se terminar sem uma resposta clara para uma pergunta muito simples: quem vai fazer o quê e até quando?

Poucos minutos no final da conversa para definir responsáveis e prazos podem evitar horas de confusão depois. É nesse momento, inclusive, que as discussões abstratas precisam virar ação concreta.

A discussão pode ter sido confusa, longa ou cheia de possibilidades. O próximo passo precisa terminar claro. Não deixe isso passar (porque muita gente já deixa isso passar e o tempo é literalmente desperdiçado).

Se reuniões estão muito abstratas, sugira melhorá-las, mande materiais prévios de leitura (não extensos), faça o que for necessário pra estar mais preparado.

É incrível a quantidade de pessoas que deixa isso passar no mundo corporativo.

🔵 A referência dessa boa prática:

O Steve Jobs levava essa ideia tão a sério na Apple que ela ganhou uma sigla própria: DRI, de Directly Responsible Individual.

Na prática, cada item de ação importante tinha uma pessoa diretamente responsável por fazê-lo acontecer. Em agendas de reuniões da Apple, era comum o nome do DRI aparecer ao lado de cada ação, deixando explícito pra todos quem era o responsável por aquele próximo passo.

Quando uma reunião termina com “o time vai olhar”, “vamos avançar nisso” ou “depois vemos quem toca” (e você sabe que isso acontece), existe espaço suficiente para que cada pessoa saia imaginando que outra assumiu a responsabilidade e aí cada um volta pro seu mundinho.

Crie o hábito de definir responsabilidades, seja pra você ou pra outras pessoas. Escreva o nome do lado das tarefas.

5⃣ Aprenda a deixar (bons) rastros.

“Reconhecimento” pode parecer uma daquelas coisas pequenas demais pra entrar na sua lista, mas quando você reconhece alguém, o efeito que costuma aparecer é o seguinte: você dificilmente vai lembrar depois de pouco tempo e a outra pessoa dificilmente vai esquecer depois de muito tempo.

Quando foi a última vez que você parou pra intencionalmente reconhecer as pessoas ao seu redor? Com frequência? E algo não genérico, específico e customizado praquela pessoa?

Uma vez por semana, escolha alguém que demonstrou na prática o tipo de comportamento ou qualidade que você gostaria de ver mais vezes e diga isso para essa pessoa. Pode ser uma mensagem no Slack, um elogio durante uma reunião ou até um e-mail para o gestor dela contando o que você observou. Não custa nada e vai fazer você ser lembrado/a.

Também não precisa existir nenhum feito heroico por trás do agradecimento. Você pode reconhecer alguém pela calma durante uma conversa difícil com um cliente, pelo cuidado com uma entrega, pela disponibilidade para ajudar outra pessoa ou simplesmente pela forma como conduziu bem uma situação complicada. Não custa nada e vai fazer você ser lembrado/a.

Quanto mais específico, melhor. “Bom trabalho” desaparece rápido. “A forma como você manteve a calma naquela conversa e conseguiu destravar o problema fez diferença” mostra que você realmente estava prestando atenção.

🔵 A referência dessa boa prática:

O homem na foto acima é Doug Conant, ex-CEO da Campbell Soup, e essa fera aí levou esse hábito muito mais longe: ele escreveu à mão mais de 30 mil notas de agradecimento pros funcionários, reconhecendo contribuições específicas que chegavam até ele. Detalhe: a Campbell tinha cerca de 25 mil funcionários.

Parece mentira, mas você pode clicar nesse link do LinkedIn dele aqui pra ver até ex-funcionários comentando.

6⃣ Você precisa fazer uma auditoria semanal.

No final da semana, abra a sua agenda, olhe pra ela com uma boa dose de honestidade e se faça as seguintes perguntas:

  • O que drenou minha energia?

  • O que me deu energia?

  • O que ocupou tempo demais?

  • O que eu deveria deixar de fazer na próxima semana?

  • O que eu fiz muito bem nessa semana e preciso continuar fazendo na próxima?

🔵 A referência dessa boa prática:

A ideia de revisar a agenda dessa forma aparece no High Growth Handbook, de Elad Gil, esse cara da foto que é um ex-executivo do Google e do Twitter e investidor de empresas como Airbnb, Stripe e Square (preciso destacar aqui o quanto fala-se pouco desse cara no Brasil, mas ele é incrível e tem insights geniais, ele é uma das principais inspirações da Better Work).

No começo, audite sua agenda semanalmente: faça a soma de onde o seu tempo foi gasto e analise cada compromisso. Se a sua participação não foi essencial pro resultado daquela atividade e aquilo também não faz parte de algo importante pra sua vida pessoal, procure uma maneira de tirar esse compromisso das suas costas.

Conforme você melhora nesse exercício, a auditoria pode passar a ser mensal ou até trimestral.

Ele sugere inclusive uma pergunta particularmente útil durante essa revisão: “Eu realmente preciso fazer isso ou alguém do time/da empresa poderia fazer no meu lugar?”.

Esse exercício é o principal de todos aqui que gera resultado imediato, porque sua agenda é o registro mais honesto das suas prioridades.

🔵 Pra finalizar:

Eu sei que essas práticas parecem simples demais pra carregar tanto peso e justificar uma edição inteira da newsletter, mas carreira, reputação e confiança raramente são construídas por uma grande decisão isolada.

Elas vão se formando na repetição de pequenas atitudes que, vistas separadamente, parecem banais, mas acumuladas por anos passam a dizer muito sobre quem você é.

O óbvio só parece superficial quando é observado de longe. Quando vira hábito, ele começa a definir a forma como as pessoas vão se lembrar de você.

Terminamos por hoje! 😉

Queremos ouvir sua opinião sobre essa edição (sim, nós lemos todos os feedbacks e respondemos todos que conseguimos):

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Nos encontramos na semana que vem e espero que você consiga traduzir essa edição para o seu dia a dia.

Se eu puder ajudar com algo, não hesite em me mandar uma DM e dizer que veio da better work.

🆘 Ou, se for algo mais técnico, envie um email pra [email protected] e a gente resolve rapidinho.

Um abraço,

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